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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

De um Sonho à Maquinários!

ESPECIAL: BANDA MAQUINÁRIOS COMPLETA UM ANO DE VIDA!

Ivan Silva

    Faltam poucos minutos para começar o show. Colocamos os instrumentos perto do palco, e  nossos  corações começam a acelerar, descontrolados. Apesar de nossas personalidades diferirem, o que é natural, sentimos dentro de nós a mesma energia, inexplicável e única. Mesmo sem possibilidades matemáticas de medir a intensidade do sentimento que nos invade, ele é igual em todos nós, e sabemos disso, pois nossos olhos brilham, olham atônitos para todas as direções, e os gestos corporais são praticamente os mesmos: mãos trêmulas, coçadas na nuca, o movimento inquieto e nervoso de nossas pernas, contra a nossa vontade. Queremos fingir que dominamos a euforia, mas a cada show ela nos persegue. Faz parte da nossa essência.
   Sabemos o exato momento de subir ao palco e fazer o que tem de ser feito. Quando estamos lá em cima, algo muito maior que o orgulho nos pega de surpresa. É  a emoção de ver que lá em baixo as pessoas esperam o melhor de nós, vieram para curtir e acreditam na nossa arte. Isto nos motiva a seguirmos em nossa caminhada, a gaseificar nossos sonhos e explorarmos cada centímetro das guitarras, cada tom do baixo, todas as variedades de sons que possui a bateria e os gritos e gracejos das vozes. Utilizamos nossos corpos para dar sentido à vida,  animar e estimular aqueles que estão tristes, conscientizar os que precisam aprimorar seus conceitos, ou simplesmente divertir. Agente solta o nosso verbo. Do jeito que sabemos.
  Ajustamos os amplificadores, equalizamos os instrumentos e testamos os microfones. Mesmo estando tudo certo, absolutamente testado e aprovado, a tensão parece cada vez maior. O público sedento por rock n’ roll começa a se aproximar do palco, a nos olhar com atenção e beber sua cerva, esquentando os neurônios para o espetáculo de microfonias, distorções, solos,  fortes batidas de bateria, gritos rasgados e loucuras. Diante desse turbilhão de emoção, agente deixa nossas máquinas de som estacionadas sobre o palco escuro, entramos no camarim e lá dentro nos reunimos, sob os gritos abafados da galera. Fazemos alguns comentários e recomendações, e em seguida nos abraçamos, formando um circulo. Cada um faz a sua oração, professa seus votos para a noite e conclui com o clássico gesto dos Três Mosqueteiros. No levantar das mãos, agente grita uma palavra que sintetiza todos os nossos ideais: Maquinários!
   Ai o resto da noite todos já sabem. Loucura, muito som, euforia e uma satisfação mental orgástica ao final, que recompensa todos os meses de ensaio e correria. E quando lembramos que tudo isto começou a pouco tempo... Não dá nem pra acreditar. Parece que foi ontem aquele dia que agente conseguiu oficializar uma proposta que nos renderia tantos frutos no futuro. O que começou de forma tão simples: uma meia lua, uma guitarra e um violão como contrabaixo, se transformou numa grande banda, cada vez mais unida e firme em seu propósito de levar  música e cultura para o Tocantins, o Brasil e o Mundo.
Maquinários 
   No último dia 07 de novembro, completamos um ano de fundação. Foi na mesma data, no ano de 2009, que fizemos o nosso primeiro show. A cidade de Redenção, no querido Pará, foi o palco de inauguração oficial da banda Maquinários. A partir daquele momento, quando conseguimos animar o pessoal e deixar registrada a nossa marca ali, algo nos disse que estávamos preparados para enfrentar o futuro. Uma sensação de dever cumprido, de grandeza, nos inundou e nos proporcionou ainda mais união e amor um pelo outro. Agora sim somos uma banda. Foi o que nossos gestos deixaram transparecer. Descobrimos que o sonho estava se tornando realidade e, acredito, já pressentíamos os ventos do amanhã. Eles  trariam um conforto enorme, uma expectativa de que tudo ia dar certo. E, de fato, deu certo.
    Essa estrada longa que trilhamos sempre nos trouxe o bem e o mal. Com muita conversa, sinceridade e transparência soubemos separar o joio do trigo. Passamos por fases difíceis, e até hoje ainda somos uma banda que tenta  superar os limites impostos pela vida. Não nos entregamos tão fácil à tristeza. Nossa amizade é muito profunda, e nutrimos em nós um respeito muito grande por tudo o que representa a Maquinários. Além disto, temos uma infinidade de amigos que sempre nos apoiaram e forneceram-nos, gratuitamente, ricos conselhos que nunca nos deixaram decair. Temos por eles uma gratidão de medida incomensurável.
   Um ano parece ser pouco, mas para nós é muito. E esperamos que essa vida se prolongue para todo o sempre. Nossos agradecimentos a todos que fizeram e fazem a Maquinários acontecer. Voltaremos aos palcos em dezembro, no Festival Eye 4 Eye, cujo objetivo será arrecadar a verba necessária para custear a cirurgia ocular de nosso guitarrista, Watson Silva, que também tocará na apresentação. Nossas expectativas quanto ao futuro são muito positivas. Sem dúvida, essa data será muito mais que apenas a volta da Maquinários, após um semestre inteiro em que esteve impossibilitada de tocar, mas o inicio de uma nova fase, bem mais promissora. Em nome de toda a banda, composta por Matheus Andrighi, Alysson Hendrix, Anderson Sacramento, Watson Silva e eu, Ivan Silva,  agradeço a todos vocês, mais uma vez, por tornarem possível o nosso sonho de ser o que somos: uma simples de banda de rock n’ roll, apaixonada pela estrada, pela vida, pela música e, sobretudo, por todos vocês! Parabéns para todos nós! Até o Eye 4 Eye!

Valeu!




9 comentários:

Saullinho Moura disse...

As gerações a frente (os filhos de restart) não sei se vão ouvir o som de vocês... Mas as minhas irão propagar o valor da amizade e da boa música. Sucesso Maquinários o/

Fred disse...

Rock'n'roll verdadeiro é isso aí, amizade forte, diversão e, também, consicência. Boa sorte na jornada da Maquinários e saibam que vocês ganharam um amigo de verdade em pouco tempo. Parabéns!

Cássio Borges disse...

Matheus Andrighi, Alysson Hendrix, Anderson Sacramento, Watson Silva e Ivan Silva, nas prosas e versos cantadas e sifradas por esses jovens nas noites outrora melacólicas de nossa cidade, é que descobri que o Rock'n'roll é muito mais que cirticar o "capitalismo selvagem", o sistema, na vida urbana existe muitos conflitos, insjustiças que nem sempre cabem nos poemas. Fruir a arte é também falar de amor, tomar conta da amizade, o Ivan e o Watson que o diga, lembram das reuniões dos sábados a noite em frente ao Itaú ? Ali era um simbólico protesto contra o sitema, mas era sobretudo uma reunião de amigos. E era nós amigos que sempre comentavamos que esses dois não demorariam muito a subir nos palcos e sair do anonimato, pois ninguém consegue esconder seus talentos pra sempre. A Maquinários já faz parte da crônica da cidade, embora ainda criança. E eu fico feliz com o sucesso de vocês!
Feliz aniversário!

Alysson Hendrix disse...

Com certeza essas foram palavras de alguém q realmente sente o espírito da maquinários fluindo em suas veias, e assim sendo, tem toda a capacidade de falar por todos da banda sempre, na nossa individualidade buscamos respostas que em grupo, ou melhor, em banda, são respondidas e e compreendidas, concretizando uma amizade e uma cumplicidade difícil de encontrar em qualquer lugar q seja.
Quando nosso grande vocalista Ivan escreve uma obra dessas, ele não fala simplesmente por seus sentimentos ele fala com um Maquinário Silva, que conhece e respeita a todos nós dessa engrenagem q está crescendo e movimentando cada vez mais máquinas e mentes!!Só tenho a agradecer por fazer parte disso...Parabéns a todos nós e muito obrigado!

Ivan Silva disse...

Muito obrigado pelo carinho, pessoal! Vocês todos são o combustível que faz esta engrenagem se mover.

Um abraço!

Cássio Borges disse...

Quando é que é o bolo, onde?

Bruna disse...

[b]Olá Ivan não poderia deixar prestigiar esse um ano de Maquinários, quando eu lembro que já me criticaram por estar com vocês lá no Itaú, vejo que enfretaria o que quer que fosse preciso porque sempre acreditei no sonho de vocês e apesar de não conhecer os outros integrantes da banda fico muito feliz por eles terem contribuido pra que esse sonho viesse para o mundo real, de qualquer modo sucesso sempre espero que continua sendo o que você é melhor fazendo o que gosta. Beijos a todos os Maquinários e claro muito ROCK'N ROLL....

watson disse...

Eu era um órfão na arte e na amizade, até poder descobrir minha real família musical ..Amo minha banda, pois ainda continua sendo o aprendizado mais profundo de minha existência, mesmo envolto das dificuldades.Queria agradecer a todos que participam ativamente do processo de reconstrução da banda, os que em todos os dias apóiam, vão aos ensaios e dão palavras amigas.A quem o coração toca, muito obrigado.

Fábio Rodrigues disse...

Um ano da Maquinarios que refletem o sonho de dois grandes amigos meus, e tenho certeza de que também de todos os integrandes da banda. Eu conheci o Ivan e o Watson na biblioteca, e lembro como se fosse ontem a primeira conversa que tive com o Ivan. Falamos de filosfia, de religião e revolução. Depois falamos de música e do poder que essa exerce nas pessoas. Depois falamos de sonhos. Sonho de uma dia dele ter uma banda, de através do rock and roll fazer uma revolução cultural e social. Nossa amizade se consolidou e passamos a nos encontrar todos as noites do sabado no itaú da avenida tocantins em Taquaralto. Muitas das pessoas passavam por nós e não davam um pingo de valor, monosprezavam a arte e o protesto que faziamos, e a amizade que celebravamos. E hoje o Ivan e o Watson realizou o grande sonho de ter uma banda, e eles realmente merecem, assim como os demais integrantes, pois todos estão de parabéns! Uma grande banda nasce de terras desconhecida para ganhar o Tocantins, o Brail e porque não o mundo?