Blog em Manutenção...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Para Intelectuais e Bregas!

CALYPSO E TECNOBREGA MERECEM RESPEITO?

Ivan Silva    

Aparelhagens (Foto: Web)

   Grande parcela de toda a riqueza que o Brasil tem em suas mãos está na sua cultura popular. Ela possui grandes preciosidades que a tornam uma verdadeira e incomparável salada, admirada e apreciada no mundo inteiro. São inúmeras cores, cheiros, sabores e manifestações culturais que vivificam esse país de norte a sul.
   Uma dessas belezas brasileiras está num estado que é o segundo maior do país, faz parte da região amazônica e é um dos mais populosos do norte, com cerca de 7.321.493 habitantes. Trata-se do Pará, um estado que, durante sua história, recebeu imigrantes vindos da França, Itália, Líbano e Japão, além de ter participação marcante em grande parte da produção musical e artística no Brasil. É de lá que vieram ícones como Fafá de Belém, Cacá Carvalho, o jogador de futebol Sócrates, Nórton Nascimento, o clássico escritor Inglês de Souza, a cantora Joelma, o guitarrista Chimbinha e mais um sem fim de celebridades.
  Sem dúvida, o Pará tem inúmeros aspectos que merecem serem conhecidos pelos brasileiros. Mas é a área musical desse estado que chama bastante a atenção. Pra quem não sabe, ritmos que fazem o maior sucesso em todo o Brasil, como o calypso e o tecnobrega, vieram das ruas paraenses, e antes de estourarem por todos os cantos desse país faziam a alegria somente do caloroso povo de lá. 
Web
     Calypso e tecnobrega são parecidos musicalmente, embora o segundo seja mais aberto às influências da música eletrônica Techno. Já o primeiro, apesar de se chamar calypso, não tem pouco haver com aquele estilo caribenho, que surgiu em Trinidad e Tobago, no século XIX, e influenciou o surgimento de estilos como o Ska e o Reggae. Na verdade, o calypso paraense é o antigo brega que surgiu após o fim do movimento jovem guarda que estourou nos anos 60. O brega daquela época era um ritmo que tinha mais haver com o “povão”, e seus artistas tinham pouca preocupação com a aparência, além de não dispor de acesso a uma cultura musical mais ampla, o que fazia com que seus discos fossem meio vazios musicalmente, repletos, por exemplo, de arranjos simples e baixa  qualidade sonora, até por não terem tanto acesso à tecnologia fonográfica.
    Pode-se dizer que aquelas melodias simplórias do brega evoluíram com a invenção do brega pop pelos artistas paraenses. E combinando o brega do passado com a moderna música Techno surgiu o tecnobrega, um dos ritmos que atualmente é febre em todo o Pará e já se espalha por várias regiões do país. No estado, as aparelhagens são os instrumentos de difusão de toda essa produção cultural, e muitos DJs e bandas regionais faturam bastante em bailes realizados nas ruas para os fãs do ritmo. Elas são verdadeiros aparatos sonoros, parecidas com naves espaciais, cheias de caixas de som e  equipamentos de iluminação especial De acordo com dados do site Overmundo, divulgados em 2007, depois da onda nacional de sucesso do calypso, cuja contribuição principal foi da famosa Banda Calypso, o tecnobrega passou a ser  a música mais apreciada pelos paraenses. São mais de 73 bandas, 273 aparelhagens (nisto se inclui as pessoas que organizam as festas) e 259 vendedores de cds que trabalham nas ruas em parceria com os artistas. Entre as maiores aparelhagens do Pará estão: Super Pop, Príncipe Negro, Itamaraty, Rubi, Impala, Equatorial, Som Guanabara e Som ideal.

Uma critica

    Apesar de a indústria fonográfica ter se apropriado de muitos artistas e de ter construído mitos como a Banda Calypso, Companhia do Calypso e várias outras bandas extremamente populares no Brasil, tanto de calypso quanto de tecnobrega, isso só serviu para tornar conhecida ainda mais a cultura musical popular paraense. Muitas pessoas que estudam comunicação e áreas afins defendem que a indústria cultural, da qual faz parte a fonográfica idiotiza muito as pessoas atualmente, e transforma a cultura popular, subtraindo dela a sua essência. Realmente isso é fato, mas  no caso do calypso e tecnobrega, a indústria da cultura trouxe modificações e ampliou o sucesso desses artistas, que por sua vez fez o Brasil focar seu olhar sobre as terras paraenses.
     Talvez por repudiarem a indústria da cultura, que fabrica artistas e corrompe a cultura popular, as classes mais intelectualizadas do Pará e de várias partes do Brasil consideram esses ritmos verdadeiras aberrações sonoras, e deitam sobre eles o mais preconceituoso e feroz olhar. Não reconhecem que calypso e tecnobrega são elementos que constituem a riqueza da cultura paraense. Não vêem que esses estilos musicais são provenientes do povo, fazem parte da cultura popular, embora tenham recebido certas influências do pop, calipso caribenho e até do rock. Fazem sucesso nas classes mais humildes e pretendia-se, inclusive, contra a vontade dos intelectuais  transformá-los em patrimônio cultural do povo paraense, através do Projeto de lei nº.130/2008. Ele  foi aprovado e beneficiou os artistas e grande parte da população do estado, que tem grande carinho e respeito por sua identidade cultural.
     É preciso haver menos preconceito e mais respeito por aquilo que o povo faz. Não apenas com relação aos ritmos musicais expostos, mas também por seus demais valores. A diversidade que a nação brasileira apresenta, em todos os aspectos, é  enorme e precisa ser olhada com mais cuidado. Já que os indicadores sociais sempre apontam para o descaso das autoridades e da classe que se julga culta e gozadora da mais nobre cultura, pelo o menos a produção cultural do povo precisa ser valorizada. Para um povo que sofre as mazelas de um país, a única coisa que lhe resta é a cultura que ele possui.
      Sem dúvida, não apenas o Pará, mas o Brasil inteiro é rico e mina cultura popular por todos os seus cantos. Por aqui se cruzam diversas culturas, se formam povos mistos, se fala o português de várias maneiras, se festeja o ano inteiro, se benze, se paga promessas e por ai vai. São diversas as características que compõem esse enorme mosaico cultural, admirado em todo o mundo. De norte a sul as pessoas constroem, em meio às dificuldades do dia-a-dia, a identidade dessa nação grandiosa. Sempre com muita música, uma culinária extraordinária, um folclore que enche a vista, o cinema que se aprimora e a coragem e fé que dão a elas o gás necessário  para tecerem diariamente suas vidas. Para intelectuais e bregas, cultura popular sempre estará ai, enquanto houver povo.


Fontes pesquisadas:




28 comentários:

Anônimo disse...

É muito bom saber que, esse tema está sendo abordado de forma sensata num blog sobre temas contemporâneos. Esses gêneros citados devem ser respeitados pelo seu contexto, acima de tudo.Seu blog está sendo muito comentado aqui em Itapemirim . Grato,

Cardoso Linhares - ES

Macagi disse...

Gostei disso... Parabéns pelo blog!
Acho legal essa ótica sobre esse tema, mas ainda tenho muitas ressalvas quanto ao que "vem" do povo e ao que é "moldado" pela mídia para o povo. Digo isso porque já tive a triste oportunidade de assistir uma apresentação em uma conceituada escola, onde alunos com a supervisão dos professores, apresentaram um número de country como sendo uma dança típica do Centro-oeste brasileiro.
ah! Detalhe: a música tocada era em inglês.

Thassio Fontes disse...

A música paraense é fascinante! De Pinduca à La Pupuña, passando por Roberto Villar, Wanderley Andrade e Jurandir. Simplesmente fascinante!

Cássio Borges disse...

ALYPSO E TECNOBREGA MERECEM RESPEITO?
Bom, acho que posso rsponder com propriedade, por ser paraense e por gostar de música boa. Acho que a arte de verdade merece respeito e no Pará há música de verdade, a talentos de verdade que não aparce na mídia porque a mídia dá valor para aquilo que dá audiência e lucro, e introduz isso usando com pretexto de que "é o povo que quer". Acontece que se o povo fosse educado pra gostar de o que é realmente vital pra vida dele, não estariamos hoje nessa pobresa de expressão que se autodenomina cultural, Mas dá educação não é papel da mídia, paciência. Contudo,para mim,o CALYPSO E TECNOBREGA são expressões ( não vou chamar isso de música) efêmeras, como foi a lambada de Beto Barbosa, que no anos 90 embalou mutidões e fez a alegria da tardes de domingo em auditórios de televisão. Mas o sucesso passou e cadê o Beto Barbosa? A verdadeira expressão cultural do povo paraense é atemporal, permanente e concordo quando o autor do blog diz que " produção cultural do povo precisa ser valorizada"; então, cadê o carimbó a dança do coco expressa na mídia ? Cadê o Pinduca, Fafá de Belém ? Esse pessoal que faz a arte de verdade, do Carimbó a Fafá de Belém vieram de baixo, da pobresa e com educação descobriram o que é arte de verdade. Acontece que o povo não lucarará com o sucesso efêmero do CALYPSO E TECNOBREGA MERECEM RESPEITO nem esses rítimos vão trazer benéficio algum para o espírito do povo, que contitnuará ignorante e alienado ouvindo isso.

CÁSSIO BORGES.

Tácio Pimenta disse...

Eu como um misto de baiano, paraense, maranhense e tocantinense, me sinto a vontade para comentar sobre o assunto sem medo de ser preconceituoso. Afinal, sou apaixonado pelo Pará e pelo que consigo assimilar como sua cultura popular.
Tenho plena convicção de que Calypso e Technobrega não são, absolutamente, expressão de cultura popular e sim sintoma de aculturação posto que se baseiam em repetição de fórmulas. Dito isso, havemos de reconhecer que assim como no axé music, sertanejo universitário, pagode, forrózão... o que há nesses ritmos é o emprego de expressões populares, características da raiz cultural de um estado, como a música caipira, o samba de roda, o baião, o próprio brega e as guitarradas que se sintetizam em um produto de massa não só para os próprios ouvintes de determinado estado, mas, observem bem, sempre para a exportação em quase todos os outros estados. Prestem atenção... esses fenômenos por mais que gerem repulsa em alguns, invadem como uma onda todas as classes sociais em todos os estados do Brasil.
Não creio que o fato de indiscutivelmente o povo gostar desses ritmos massificados, seja argumento o bastante pra tentar enxergar nessas músicas alguma outra qualidade artística que não o oportunismo e a vendabilidade. Eles sabem tocar onde a maioria das pessoas sentem com mais facilidade... sem muita poética, sem muita firula, apenas uma onda que quem quer se divertir junto com todo mundo se deixa levar.
Eu certamente prefiro muito mais outras coisas do Pará, culturalmente falando, mas acho que todos artistas tem muito a aprender com eles (Calypso e techno-bregas) quando o assunto é distribuição de discos e auto-sustentabilidade na indústria fonográfica. Nenhum deles precisou de contrato com Sr. Ninguém pra invadir o Brasil todo e, de certa forma, mostrar pros brasileiros que por trás do sucesso do Calypso existe um Pará ainda maior, com muitas outras coisas por serem descobertas.
Sem mais (ainda) delongas. Um abraço!

Fabio Rodrigues disse...

Há uma grande diferença entre a aquilo que podemos considerar como cultura popular(proveniente das expressões, hábitos, valores e costumes de um determinado povo)e aquilo que é imposto pela mídia guela abaixo para a população. Sendo assim, Calypso juntamente com um monte de bandas e grupos que se dizem pertecentes de determinados gêneros músicais, mas que eu classifico como diarreia sonora, não são e nem podem ser expressões artísticas oriundas da cultura de um povo. O que temos hoje é uma verdadeira ditadura midiática onde tudo é imposto maquiavelicamente, sem nenhum escrúpulos. A mídia ou a indústria cultural produzem lixos sonoros voltados únicamente para o consumo e alienação da sociedade, e é de admirar o quanto isso é bem visto por uma grande parte da população, muitos dizem até que é reflexo da "diversidade cultural brasileira". Bandas ou grupos como Calypso, Djavu, É o Tchan, Chiclete com Banana, Cavaleiros do forro, Brucelose, Latino, Kelly Key, Gaviões do forro, entre outras, podemos colocar toda essa merda e colocar no mesmo caldeirão que vai sair somente gosmas pútridas e bestiais. LIXO, LIXO E LIXO E NÃO MERECE NENHUM RESPEITO!

Bruna disse...

A cultura popular nasceu da adaptação do homem ao ambiente onde vive, então assim eu acho que não só o Calypso mais acho que todos os outros ritmos musicais merecem respeito é como o autor falou (É preciso haver menos preconceito e mais respeito por aquilo que o povo faz), embora eu ache que a cultura popular tende a ser superficial porque o seu conteúdo é determinado em grande parte pelas indústrias que disseminam o material cultural, como, a mídia, mas ainda assim não justifica o desrespeito.

Cássio Borges disse...

A cultura pupular nunca é superficial.
Como diz o Poeta Ferreira Gullar : " Toda arte é uma expressão, mas nem toda expressão é uma arte". CALYPSO E TECNOBREGA MERECEM RESPEITO são apenas expressões masificadas, mas não são arte. Agora, querem ver expressão de arte de verdade, vão ao Maranhão ou ao Pará, no mês das festas juninas, se relamente querem que seja "preciso haver menos preconceito e mais respeito por aquilo que o povo faz".
Reafirmo que CALYPSO E TECNOBREGA NÃO MERECEM RESPEITO !!

Fabio Rodrigues disse...

Concordo plenamente com você Cássio. O grande problema é que as pessoas confundem muito as coisas, não conseguem discenir entre aquilo que vem das raízes do povo e aquilo que é massificado pela indústria cultural. Luíz Gonzaga, por exemplo, o rei do baião, é cultura popular, e belíssima diga-se de passagem. Os repentistas e a literatura de cordel são expressões culturais do povo, portanto é cultura popular. Quanto ao Calypso e ao Tecnobrega são diarreias sonoras massificadas, cujo intuito é o consumo e a alienação das pessoas, basta obseravar as letras de baixissimo nível, muitas vezes pornográficas e sem nenhuma poesia para chegar a essa conclusão. Eu repúdio a cultura de massa que aliena as pessoas. Para as pessoas que escutam essas "músicas" eu aconselho que vá se informar, se interar e ler muito, para que assiam possam sair da MATRIX MIDIÁTICA.

Candice disse...

Olá ,gostei muito do seu blog .É com pessoas assim,como você que o mundo evolui ,afinal você faz-se valer neste universo das palavras .

Ivan Silva disse...

Obrigado Candice, pelo carinho. Esteja sempre à vontade. Esse blog é de todos nós. E agradeço aos demais pelos ótimos comentários.
É preciso que se leve em consideração o fato de que esses ritmos musicais, embora tenham sofrido influências da indústria cultural (e ninguém está imune a ela) são sim provenientes da cultura popular paraense. Foram inventados pelo povo, por cantores paraenses, e foram considerados patrimônio cultural do povo de lá. A indústria não os implantou lá. Nós não podemos determinar o que é e o que não é cultura popular. É preciso que se tenha um olhar, digamos, menos extremista e apaixonado sobre a questão.
As classes mais intelectualizadas tendem a classificar, de forma preconceituosa, o que deve ser considerado cultura popular. Mas faz isto sob sua óptica, de acordo com seu olhar e cultura. Se algo que provém do povo torna-se comercial e retorna a ele mais bonito e fabricado, e passa a ser consumido por este e agregado aos seus gostos musicais,que me impede de considerar aquilo cultura popular?
Na minha opinião, eles merecem respeito. Mas entendo o posicionamento dos que se mantém contra. O que não podemos é ser etnocêntricos. Antes de julgar se é bom ou ruim, é preciso que se faça um estudo cultural e que se abandonem certas convicções para que se chegue a um resultado objetivo e justo.

Klaus Krishna disse...

Cassio Borges,

você diz que a mídia apenas 'apóia' o que gera grana, mas cobra que os artistas estejam na mídia. Ao meu ver, um artista não necessariamente precisa estar na mídia para ficar visível, ou não, que está ganhando dinheiro com seu trabalho.

Eu sou Paraense, e o brega e o technobrega não são um estilo que eu paro pra ouvir, que eu coloco no meu mp4, que eu ouço no computador, que eu grave um cd para ouvir em um som, não gosto assim, nem tão pouco sei dançar. rs Mas admiro pelo simples fato de ser uma música bem elaborada, bem feita. Eu curto e muito ver uma banda do estilo tocando ao vivo. São bem ensaiados, bem mais até que muita banda de rock. Músicas bem trabalhadas, bem arranjadas, enfim. Letras vazias? Talvez! Mas existem músicas para cada tipo de caso, momento, enfim. Existem músicas gospéis, ou cristãs, que são feitas para determinados momentos. Por exemplo, num momento de oração, tem uma música que é mais calma, outra mais alegre, e assim por diante. Da mesma maneira é o brega e o technobrega. São músicas com letras engraçadas, algumas não, algumas falam de amor, etc. Possuem rítmos dançantes, ou seja, para bailes, festas e afins. E assim a coisa acontece.

As pessoas que apenas enxergam o lado 'escroto' da coisa ta fodida. Vive num mundo alienado e que é contra tudo o que um grupo de maioria num determinado local ou espaço é.

Ps.: O comentário em partes é para você, o restante é apenas a minha opinião em relação ao post. Obrigado.

Parabéns Ivan, pelo blog. Felicidades.
Abraço.

Cássio Borges disse...

IVAN : "As classes mais intelectualizadas tendem a classificar, de forma preconceituosa, o que deve ser considerado cultura popular"

Klaus :" As pessoas que apenas enxergam o lado 'escroto' da coisa ta fodida. Vive num mundo alienado e que é contra tudo o que um grupo de maioria num determinado local ou espaço é. "

Agora chagamos onde eu temia ! Quer dizer que é preconceito se posicionar sobre uma enquete aberta pra discutir de maneira democrática ? Mas, o que é preconceito ? Ora, o que falei sobre o assunto é fruto do que vivo, sinto e leio e leio muito, mas estou longe de ser intelectual, mas estou longe de ser preconceituoso. Se quem enxerga apenas o lado escroto das coisas da fodida, então acho que não estou, pois acho que lado escroto da cultura é o brega e o technobrega, calypso etc. O mundo da cultura, ao meu ver, está ao inverso, o que é realmente arte, não merece o respeito da mídia audvisual e fonográfica. Uma música possuir ritmo dançante, letras engraçadas, falar de amor, pode ser de uma mneira mais inteligente, mais metáforica, com analogias. Mas isso é coisa pra intectual né? O bom mesmo é alienar o povo com Calcinha Preta e letras com rima fácil, mais do mesmo, dos calypsos e sertanejos universitários. Vejam, gosto muito dos Bregas do Roberto Carlos, pra não dizrem que sou muito radical.
Se ser alienado é ser assim, obrigado!

Fabio Rodrigues disse...

Acho que para diferenciar o que é cultura popular e cultura de massa temos que buscar respaldo em três disciplinas do conhecimento proveniente das ciências humanas, a saber: Sociologia, Antropologia e Filosofia. Mas o principal mesmo, seria fazer uma experiência empírica do caso, ou seja, ouvir varias vezes esses rítmos músicais, o que para mim seria um verdadeiro sacrifício, e além disso, teríamos que entrevistar o público que consome tais estilos músicais. Não sei quais são os critérios utilizados pelas classes intelectualizadas para classificar ou até mesmo determinar aquilo que é oriundo da cultura do povo ou daquilo que é propagado pela indústria da cultura. Mas acredito que essas pessoas consideradas "intelectuais" procuram referências das três disciplinas que citei acima. A indústria se apropia da cultura popular e a transforma, muitas vezes corrompendo e distorcendo aquilo que é da raíz do povo, em algo comercial, massificando-a. A cultura do povo transfoma-se em cultura de massa; massificada a indústria elabora seus objetivos, que é o lucro e a alienação das pessoas. Não podemos também deixar de vê a questão numa perspectiva do modelo econômico. O capitalismo procura transformar tudo em negócio, e é por isso que tudo tem que ser comercializado, e não é diferente com o bem cultural. Assim, a cultura de massa atende aos moldes do sistema. O que vemos aí é sempre, como o companheiro Cássio disse, "o mais do mesmo", são repetições de grupos ou bandas, com as mesmas características, figurinos semelhantes e letras parecidas, muitas vezes vazias de conteúdos, que não nos leva a pensar e a refletir, podem até ser dançantes e animadas, mas poderia ser com letras mais bem elaboradas, e inteligentes. Há também que diferenciar o que é classe intelectualizada e o que é classe que se encontra no topo da pirâmide social, a famigerada burguesia, a classe que domina os meios de comunicação de massa, os segmentos econômico e político. Meu professor de Literatura Portuguesa é um grande intelectual, e apreciador das diversas artes, incluíndo a música, e sabe o que ele sempre fala para seus alunos sobre os ritmos difundidos pela mídia? Que são ALIENANTES. Que leva o homem a ALIENAÇÃO, e que não é ARTE. Muito diferente da cultura popular representada por Luíz Gonzaga que fazia música de qualidade, fazia arte. Arte que enobrece o homem, que o eleva culturalmente e o liberta da ALIENAÇÃO. Acredito que todo apreciador e verdadeiro amante das Letras e das Artes tem capacidade de dicernir o que é produto de qualidade e o que é de baixa qualidade, não me considero um intelectual, longe disso, mas sei muito bem que Calypso e Tecnobrega não é cultura popular, não é arte, mas sim cultura de massa, diarréia sonoro de baixissima qualidade, diga-se de passagem. No mais, já tenho minha opinião formada e já a expus no blog, que pelo que parece é contrária do autor do texto.
Obrigado!

Imperador disse...

Não sei bem onde a autor metamorfose quis chegar. Ele me conhece e sabe o que estou falando sério. Uma hora diz que tem que respeitar a cultura popular. outra hora afirma que é um estilo que tev influência té do rock. Espera um pouco, como um pouvo que nem sabe o que é rock, misturou os estilos? e se misturou não é popular, é um fenômeno de aculturação produzido pra vender e estimular meninas e ficarem grávidas. Isto é o Pará. Uma música que não tem o ideal libertário, poetico, se limita apenas a retratar a história contidiana de amores perdidos, casamentos desfeitros, adultérios e etc..Isto é retrato de uma sociedade doente,se for cultura, a cultura está doente. Onde que joelma é uma exímia cantora? vc pirou de vez? curto varios estilos musicais, sendo produtopsou não da mídia, mas são estilos que posso contemplar arte, poesia. Em síntese, Um povo excluido e um lugar com o IDH baisxíssimo, só pode produzir uma merda desta mesmo. Mesmo assim, recuso-me a acreditar que o Calypso ( entidade da mitologia grega) e o tecnobrega sejam estilos oruindos do pará.

Ivan Silva disse...

Pessoal, o blog é aberto para todas as opiniões. Inclusive, quem desejar fazer um texto que sirva de contra-argumentação, que o escreva e mande para o e-mail do blog. Seria interessante levar a discussão adiante.

Um abraço a todos e parabéns pelos comentários!

Tácio Pimenta disse...

Algumas idéias fixas que tenho:

Execução não é arte, é técnica ou talento. Criação é arte.

Uso de fórmulas não é arte, são negócios. Experimentação é arte.

Sucesso e ascensão meteórica não é qualidade, é oportunidade. Respeito e perenidade da obra são qualidade.

Intolerância não é razão, é medo. Ponderação é razão.

**São só algumas idéias q talvez contribuam para o debate. Ou não.

Macagi disse...

Tácio ...

Isso não foi um comentário da sua parte...
Foi um poema. rsrs

Cássio Borges disse...

Macagi, ta aí um cara que é artista de verdade!
Grande poeta, gosto de suas rimas undergraud !

Cássio Borges disse...

Ruben George Loven, em seu livro : Violência e Cultura no Brasil; diz que " Analisando os motivos pelos quais o Brasil os produtores de símbolos nacionais e da cultura de massa elegeram intens culturais produzidos orinalmente por grupos dominados, Fry sugere que a incorporação destes símbolos apresentava vantagens políticas, servindo para manter a dominação disfrçada sob outro nome. Deste modo, ´a conversão de símbolos étnicos em símbolos nacionais não apenas ocoulta uma situação de dominação racial mas torna muito mais fácil a tarefa de denunci=a-las. Quando se convertem símbolos de ´froneteiras' étnicas em símbolos que afirmam os limites da nacionacionalidade, converte-se o que era originalmente perigso em algo ´limpo´, ' seguro' e ´domesticado'. (p. 72,73).
ALYPSO E TECNOBREGA MERECEM RESPEITO? Talvez sim, mas não se esqueçam que a mídia é usada pela calse dominante pra manter o status quo.

Hérica Rocha disse...

Estava aqui tergiversando, e se o título fosse outro: Rock 'n roll e Música Clássica merecem respeito? O que diriam as pessoas tão esclarecidas por suas idéias tão "imparciais" e nada pre-concebidas?
Tergiverso, tergiverso, tergiverso...

Cássio Borges disse...

O Rock 'n roll que se faz hoje não merece respeito. De música Clássica entendo pouco. Falo CALYPSO de TECNOBREGA porque é mais imposto, porque estamos contaminados. No dia em que formos contaminados pela musica classica ( o que acho dificil), estaremos no apogeu.

Hérica Rocha disse...

Hummm...Sobre rock atual ser bom ou não, é história de gente que nasceu nos anos 80 e jura que foram os melhores momentos de todo o mundo...Sou completamente suspeita pra falar, pois vivi plenamente a música dessa década e conheço bem o discurso. Apostar num apogeu sobre algo que se tem pouco entendimento é, numa concepção íntima, vislumbrar dias melhores. Agora sobre contaminação... eu nada revelo.Ainda estou a procura da cura para o vírus do juízo de valor, e o etnocentrismo, como disse o meu amigo Ivan num papo gostoso de ontem, "eu deixo para os antropólogos explicarem".

P.S.: Cássio, Ruben George Oliven é uma ótima referência.

Cássio Borges disse...

Hérica :"Apostar num apogeu sobre algo que se tem pouco entendimento é, numa concepção íntima, vislumbrar dias melhores."

É que música Clássica é coisa de intelectual, e como esse termo foi colocado como algo pejorativo fiqui com vergonha de dizer que gosto de ver " PRELÚDIO". Não posso dizer que gosto de múscia Clássica, de Johann Sebastian Bach e sua obra Paixão Segundo São Mateus, dizer que gosto de música barroco soa muito intelectual, e "eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém" que tem que gostar de Tecnobrega e Calypso, porque issoo sim é música feita pelo povo e o que povo tem que ouvir.

P.S: Ruben George Oliven é uma ótima referência mesmo, obrigado!

Bruna disse...

Cássio...

Meu amigo só agora que vi o seu comentário após o meu e defendendo o meu ponto de vista, quando disse que a cultura popular tende a ser "superficial", eu quis dizer que o seu conteúdo é disseminado pela mídia apenas isso, jamais quis colocar em cheque a essência e os valores de um determinado povo, e isso eu falo de modo geral, não só no que se refere a música... mas enfim não quero que você concorde comigo apenas compreenda o que comentei.... vlw.

Cássio Borges disse...

Bruna, não é porque um rítimo é menos disseminado do que outro pela mídia que se torna superficial, é o contrário, a cultura popular é essencial " a arte de representar nasceu com o povo, que imitava a natureza ao seu redor". O que é disseminado pela mídia é aquilo que pode ser massificado pela indústria, pode ser que como o Ivan fala, são rítimos feito pelo povo, tudo bem, que seja, mas é uma coisa de baixo calão e o povo faz algo muito mais inteligente que teconobrega e calypso. O que acontece é que um povo que não ler, sem uma educação libertadora engole isso fácil, aí quando vem alguém formador de opinião e diz " é isso aí povo, vocês tem que ouvir isso mesmo, é isso que você faz", isso vira senso comum, se prolifera, porque é ideológico, é pra dominar, leia a opinião de Ruben George Oliven que pastei acima. O povo faz uma cultura de verdade, que não o tecnobrega e nem o calypso. Mas tô quase acreditando que quem não merece respeito é essa mídia podre!

Ivan Silva disse...

Este texto foi recorde de comentários! Isso é muito gratificante. Agradeço aos leitores pelas muitas opiniões aqui expostas. Um grande abraço!

Ivan Silva disse...

Mas podem continuar postando. Fiquem à vontade!